Seus
brincos disseram-me que já não agüentam de saudade de você.
Abandonados
sobre esse móvel se sentem desprezados... inúteis!
Já
perderam o brilho, apesar de manterem o dourado da cor original
Estão
assim... como uma folha verde que perdeu o viço
“É
uma morte lenta, uma agonia sem fim”, confidenciaram-me
Sentindo,
a cada dia, o acumular da poeira fina que impregna esta sala mal cuidada
Esse
ambiente quase desolador
Habitado
pelo silêncio que por vezes é quebrado em murmúrios de reclamações
“Precisamos
ter vida!” protestaram-me outro dia
Adornar
essas orelhas onde, no labirinto ainda ecoam sussurros da última noite que aqui
você passou
E
de forma ingrata, egoísta, não quis com eles dividir palavras ditas em momento
de amor
Retirando-os
cuidadosamente, mas pondo-os de lado, assim como a roupa, que depois, porém,
foi lembrada
Esse
abandono, essa solidão, disseram-me, não esquecerão jamais.

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