sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Para você não mais os esquecer

Seus brincos disseram-me que já não agüentam de saudade de você.
Abandonados sobre esse móvel se sentem desprezados... inúteis!
Já perderam o brilho, apesar de manterem o dourado da cor original
Estão assim... como uma folha verde que perdeu o viço

“É uma morte lenta, uma agonia sem fim”, confidenciaram-me
Sentindo, a cada dia, o acumular da poeira fina que impregna esta sala mal cuidada
Esse ambiente quase desolador
Habitado pelo silêncio que por vezes é quebrado em murmúrios de reclamações

“Precisamos ter vida!” protestaram-me outro dia
Adornar essas orelhas onde, no labirinto ainda ecoam sussurros da última noite que aqui você passou
E de forma ingrata, egoísta, não quis com eles dividir palavras ditas em momento de amor
Retirando-os cuidadosamente, mas pondo-os de lado, assim como a roupa, que depois, porém, foi lembrada

Esse abandono, essa solidão, disseram-me, não esquecerão jamais.

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